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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Feliz Ostara!

O Deus (Sol) cresceu, tornando-se um jovem adulto. Ele está passando pela puberdade e suas forças são refletidas na vitalidade e no crescimento das plantas. Ele está crescendo novamente. 

A Deusa é agora uma bonita Virgem da Primavera, jovem, donzela dos novos ventos e esperanças que cobre a terra com seu manto de fertilidade; desperta de Seu repouso, enquanto o Deus se desenvolve e amadurece. 

Ele caminha pelos campos a verdejar, e delicia-se com a abundância da natureza. Na Natureza acontece uma explosão de cores, de flores, de energia e vitalidade. Em nós, este é um período de iniciar, de agir, de plantar para ganhos futuros, e de cuidar dos jardins.


FELIZ OSTARA PARA TODOS!!!

Sugiro as postagens abaixo:


domingo, 20 de setembro de 2015

Despedida de Imbolc

"Em Imbolc a Deusa após o período de resguardo do parto, aparece como a Mãe nutridora.
O Deus (Sol) está lentamente aumentando sua força a cada dia...
Na Natureza, os dias vão ficando mais longos e o frio vai diminuindo, dando lugar a um Sol meio tímido. A terra sob nossos pés acolhe as sementes. Vamos "acordando" do sono do Inverno, querendo sair mais, estar em contato com os outros, respirando o ar menos gelado".

  

Olá pessoal estamos as vésperas de Ostara, e para não ficarmos com um hiato no blog estou colocando aqui algumas informações sobre Imbolc. 

Imbolc assim como o Samhain, Beltane e Lammas fazem parte dos 4 sabás maiores que celebram o ciclo agrícola da Terra e marcam a semeadura, o plantio e as colheitas.

Eles complementam a roda de Sabás menores que são Yule, Ostara, Litha e Mabon também conhecidos por Equinócios e Solstícios e que marcam a trajetória do sol pelo céu... sugiro ler aqui no blog a primeira  e a segunda parte da minha explicação pessoal para roda do ano Wiccana.

O texto abaixo NÃO é de minha autoria, mas descreve bem o que foi esse período. Como estamos na transição não colocarei um ritual pronto para Imbolc, mas podem aguardar que ate amanhã (21/09/2015) teremos um ritual simples para comemoração de Ostara).


IMBOLC – A PROMESSA DA PRIMAVERA

1º de agosto no hemisfério Sul

Imbolc ou Candlemas, como também é conhecido, ocorre no pico do Inverno.
Este é o tempo do ano em que a Terra se encontra fria. O sol está lentamente aumentando sua força a cada dia. A Luz Crescente é um sinal da promessa da Primavera. Imbolc é o festival que celebra a luz nas trevas. A palavra Imbolc significa “no ventre / leite”, pois nesse período as ovelhas, vacas e cabras entravam em seu período de lactação e começavam a produzir leite. Isso era um indício claro da chegada da Primavera.
Imbolc marca as boas-vindas à Primavera, época em que a vida começa a acordar do sono frio do Inverno. Neste dia sagrado celebramos a fertilidade de todas as coisas. Em Imbolc a Deusa Brigit, Senhora do Fogo, da vida, do conhecimento, da poesia, das fontes sagradas, era honrada por todos os celtas. Todos agradeciam por Ela ter mantido o Fogo das lareiras queimando durante as noites escuras e gélidas de Inverno.
Brigit é uma Deusa solar, associada com as árvores, as flores e o cantar dos pássaros e nessa época do ano, com a aproximação da Primavera, todos esses elementos começavam a dar seus primeiros sinais vitais de retorno.

Brigit tinha um santuário na antiga capital irlandesa de Kildare, onde um grupo de 19 Sacerdotisas mantinha uma chama eterna acesa em sua honra. Ela era considerada a Deusa do Fogo e a padroeira dos ferreiros. Era uma Deusa Tríplice, Guardiã da lareira e da família.
Esse Sabbat simboliza o tempo em que a Deusa está cuidando do seu bebê, a Criança do Sol (o Deus). Ela e seu filho afastam o Inverno. O Deus está crescendo forte e poderoso e isso se torna cada vez mais visível nos raios de Sol que começam a dar seus primeiros sinais. A Deusa está recuperando suas forças do parto em Yule e isso é refletido na coloração verde das plantas e nos animais que começam a sair da hibernação. Agora a Deusa abandona o seu aspecto de Anciã e se transforma na Virgem das Flores.
Os Grandes Sabbats são conhecidos como Festivais de Fogo, pois é tradicionalmente acesa uma fogueira em suas celebrações. Imbolc é único em que o tempo frio impedia o acendimento de uma fogueira ao ar livre. As fogueiras de Imbolc tomavam forma então nas muitas velas e tochas acesas. Essa é a razão por que Imbolc é conhecido como Candlemas, que vem do Candle = “velas” associado a mas = “massa”, ou seja, “massa de velas”. As velas representam o pequeno fogo da Criança Sol (o Deus), crescendo em cada um de nós. Esse simbolismo das velas em Imbolc é extremamente poderoso, pois reafirma que a Divindade reside no interior de cada um de nós, bem como o poder de força de transformar as esperanças em realidade.
Imbolc era o momento em que cada vela, lamparina e tocha da casa era acesa para iluminar os caminhos, para que o Sol pudesse atravessar. Por toda a Europa, nessa época, eram feitas procissões com tochas, com a finalidade de purificar os campos e arados para o plantio na Primavera que se aproximava. Isso poderia ser interpretado como um rito de invocação ao Deus (Sol), para que fertilizasse e fecundasse a Terra, e entrasse em todas as casas com sua luz para que estas fossem prósperas e ricas.
Imbolc é o Sabbat da Purificação, por isso uma prática tradicional associada com esse Sabbat é a Varredura, na qual varremos nosso Círculo com Vassouras Mágicas, expulsando energias negativas, como azar, ressentimentos e coisas ultrapassadas de nossa vida. É comum também varrer toda a casa mentalizando o banimento do mal.
A ligação de Imbolc com a purificação vem da Antiga Europa, onde, nessa época, toda a decoração de Yule era queimada, de acordo com as Antigas Tradições. Isso representava o desligamento com o passado para que o futuro fosse promissor. Caso isso não acontecesse, os antigos europeus acreditavam que os maus espíritos viriam assombrar a casa e seus moradores e trazer toda espécie de azar durante o ano.
Outros costumes muito tradicionais são as camas de Brigit – bonecas são feitas com palha ou ervas e então colocadas ritualisticamente em uma cama, junto a um pequeno bastão, representando a fertilidade da mente, do espírito e da Terra.
Por ser um período em que os temas de renovação, purificação e abandono do velho para o início do novo estão em destaque, Imbolc é considerado por algumas Tradições como o melhor momento para a realização de Ritos de Iniciações, Dedicações, Wiccanings e outros Ritos de Passagens.
Imbolc é o momento ideal de banirmos todos os remorsos e culpas (sentimentos associados ao Inverno) e planejarmos o futuro para o próximo ano. Esse é um dos Sabbats mais poderosos, pois traz uma mudança pessoal profunda e transformadora. É tempo de limpar, lavar e purificar e se preparar para o crescimento e a renovação. Também é um período de sacrifícios voluntários do nosso Eu Exterior, pois é hora de banir o velho para que o novo possa entrar. Nesse Sabbat são feitas purificações com Fogo e Água, os principais elementos da Deusa Brigit.
É o momento de limpar e preparar nossas mentes e corpos para o ressurgimento. A Deusa está mandando embora os escombros do último ano com a sua sagrada Vassoura. Ela ocupará o espaço vazio com novas ideias e novos caminhos. Assim como Ela, temos que nos preparar e limpar o terreno para que o novo possa entrar em nossa vida.

CORRESPONDÊNCIA DE IMBOLC

Cores: vermelho, laranja, branco.
Nomes Alternativos: Imbolc Brigantia, Candlemas, Lupercus, Candelária, Disting, Oimelc, Dia de Brid, Brigit’s Day.
Deuses: a Deusa, no seu aspecto de Virgem e de fertilizadora, e o Deus, no seu aspecto de fertilizador, jovem e menino.
Ervas: urze, sálvia branca, calêndula, limão, dente-de-leão, manjericão, sementes de açafrão, rosas, freixo, aveleira, verbena, violeta, mirra, estoraque, bálsamo, sangue-de-dragão, baunilha.
Pedras: quartzo branco, citrino, turmalina amarela, turmalina verde, quartzo rosa, hematita, rubi, granada, zircônia vermelha, pérolas, coral, ágata vermelha, topázio.
Comidas e Bebidas Sagradas: bolos de frutas, tortas de maçãs, cerejas, framboesas, maçãs, pão, sopas de creme, vinho, suco de frutas e todos os tipos de chás.

ATIVIDADES:
  • Queimar todos os enfeites de Yule para mandar o Inverno embora.
  • Fazer uma cama de Brigit.
  • Fazer uma Roda de Velas.
  • Pendurar uma Cruz de Brigit na parede de casa.
  • Varrer a casa com a Vassoura Mágica.
  • Limpar o seu espaço sagrado, seu Altar, Instrumentos, etc.
  • Colocar três sementes de milho sobre a porta principal como símbolo da Deusa Tríplice e deixar até Ostara, em que deverão ser queimadas.
  • Fazer travesseiros dos sonhos para cada um de seus familiares.
  • Colher pedras para serem usadas em Círculos Mágicos. Em Imbolc do ano seguinte devolve-las à Natureza e trocá-las por novas.
  • Acender uma vela em cada janela da casa. Começar no pôr-do-sol do dia de Imbolc e continuar até o nascer do Sol do dia seguinte.
  • Abençoar velas para serem usadas durante o decorrer do ano em feitiços e sortilégios.
  • Fazer uma Mãe do Milho (Cor Mother). 

sábado, 18 de julho de 2015

Yule 2015

Em Yule a escuridão reina como se estivéssemos no caldeirão da Deusa. Assim, O Rei das Sombras transforma-se na Criança da Promessa, o Filho do Sol, que deverá nascer para restaurar a natureza.
(...)
Para os povos antigos o clima era algo extremamente importante, uma vez que passavam a maioria do tempo ao ar livre. Exatamente por isso, o Solstício de Inverno era uma data reverenciada pois anunciava a promessa do retorno do sol, da luz e da fertilização da vida. O Deus, como a Criança da Promessa (o sol nascente e crescente), era celebrado para trazer calor e luminosidade.
Yule assinala a esperança de um novo tempo, abrindo caminho para as inúmeras possibilidades. Era celebrado com luzes, fogo e a tradicional árvore de Yule com enfeites e bolotas de carvalho, que posteriormente foi assimilada pelo Cristianismo e se transformou na árvore de natal.
Trechos do livro "Wicca para todos" do Claudiney Pietro


Nós somos um reflexo de tudo o que acontece na natureza, durante o inverno é natural que nossas forças e energias estejam internalizadas e vivenciar esse período em sua plenitude pode nos proporcionar muito auto conhecimento. 
Todos os anos quando chegamos em Yule, noto que me torno muito mais reflexiva, que minha busca por aprender e também por ensinar cresce, que fico ansiosa por mais aconchego, entre outros "sintomas" do inverno nem sempre construtivos como a depressão e a apatia.

Faltam apenas 17 dias para Imbolc, que além de ser o sabbat da promessa da primavera também é o pico do inverno (the winter is coming!!!), então parei pra refletir e percebi que aqui em casa estava faltando muita pratica em toda essa teoria da roda do ano. Como assim?! Quem me conhece sabe que sou uma pessoa natalina. Não sei o que acontece comigo, mas o Natal sempre me encantou, tenho lembranças MUITO fortes relacionadas a essa festa e mesmo sendo wiccana eu simplesmente subtraio "o nascimento de cristo" e sigo feliz com os festejos em dezembro mesmo. 

Tá, mas eu estava falando sobre como nos sentimos e de repente estou falando de natal... CALMA! Respira fundo e pensa comigo, qual é o objetivo de uma festa? Qual é a função da decoração (arvore, enfeites, pisca pisca, verde, vermelho por toda parte)? O objetivo da ceia com a família e amigos? Porque trocar de presentes?

Não pretendo me estender muito nesse texto, mas para os povos antigos o Yule era uma época de grande escuridão, escassez de alimentos, frio, noites mais longas e dias curtos e a percepção destes fenômenos fizeram com que eles se reunissem para pedir aos Deuses ancestrais que o inverno não fosse muito rigoroso e que as forças da natureza os ajudassem a superar esse período. 

Festejar transmuta nossas energias, a decoração "yulesca" nos mostra através dos símbolos, luzes e cores que a natureza (a Deusa) vive apesar de recolhida e a energia solar (o Deus) vai retornar e crescer com o passar dos dias. Estar em família e compartilhar alimentos e presentes afasta a negatividade e nos torna muito mais receptivos ao clima invernal.

Então o que fazer para entrar no espirito de Yule em junho?!

Comece por decorar o seu altar, ele é o espelho da nossa espiritualidade (fique alerta se costuma deixá-lo abandonado e cheio de pó). Em todos os livros sobre Wicca encontraremos referência a Tora de Yule que tradicionalmente seria feita com carvalho, azevinho, figueira ou cipreste... Mas como estamos no Brasil vale escolher qualquer árvore que resista bem ao inverno e que possua os ramos ainda verdes nessa época. Mantenha velas acesas para saudar o retorno da luz do Sol e abuse das cores de Yule, o verde e o vermelho. Use a criatividade!

Escolha as divindades que ira celebrar e que te acompanharam nesse período, o importante é manter o arquétipo de Deusa mãe e do Deus a criança.
Ritualize. Aproveite a energia de Yule para meditar e realizar feitiços ou amuletos para proteção da sua casa. Caso não tenha realizado o ritual na entrada do Solstício AQUI você encontra um ritual pronto e clicando AQUI você pode ler o mito do Rei azevinho para ajudar na meditação.

Aqueça sua casa, você pode usar tapetes e cortinas mais grossas ou simplesmente deixar uma manta no sofá para quando for ler um livro ou assistir TV. Abra as portas e janelas para que a energia se renove. Faça uma limpeza física e energética e se livre das tralhas.  Doe as roupas e cobertores que não usa para instituições de caridade ou moradores de rua, alem de ajudar você se sentira muito bem.

Cuide-se. Ingira líquidos quentes ao longo do dia, como chás e sopas, para se manter aquecido. Mexa-se para espantar o frio! Use as escadas, caminhe, faça exercícios.  Cubra sua cabeça (use chapéu, boina, touca, boné), pois é através da cabeça que perdemos mais calor do corpo, então é importante protegê-la.

Reúna sua família e/ou amigos. Não precisa elaborar uma ceia completa, você pode preparar caldos, sopas, fondue ou oferecer uma tarde com chás e bolos, já seria ótimo! Aproveite para pesquisar receitas e planejar menus com a cara de inverno.



"Deixe seu coração ser preenchido... 
com a magia da estação. Feliz Yule"

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Ritual Yule



Material:
ö Os elementos do círculo do poder e Altar.
ö Folhas secas de louro e alecrim
ö Plantas como pinho, zimbro e cedro.
ö Caldeirão.
ö Velas: vermelha, verde e dourada.
ö Comidas para o banquete.

Faça o círculo do poder, pode fazer com qualquer tipo de folhas secas.

ELEMENTOS
Sul: Senhoras e Senhores do Sul, Espíritos do Fogo. Iluminem nosso rito com vossa presença, dotando-o com a energia da vontade e força de realização necessárias.
Oeste: Senhoras e Senhores do Oeste, Espíritos da Água. Iluminem nosso rito com vossa presença, dotando-o com a energia da compreensão e clareza necessárias.
Norte: Senhoras e Senhores do Norte, Espíritos da Terra. Iluminem nosso rito com vossa presença, dotando-o com a energia da solidez e firmeza necessárias.
Leste: Senhoras e Senhores do Leste, Espíritos do Ar. Iluminem nosso rito com vossa presença, dotando-o com a energia da inspiração e intuição necessárias.

Invoque o deus e a deusa.

DEUSA: Graciosa Deusa, Rainha dos Deuses, Lanterna da noite, Criadora de tudo o que é silvestre e livre; Mãe de homens e mulheres; Amante do Deus Cornudo e protetora de todos os Wiccanos; Compareça, eu peço, com seu raio lunar de poder, Cá em nosso círculo mágico!

DEUS: Deus brilhante, Rei dos Deuses, Senhor do Sol, Mestre de tudo o que é silvestre e livre; Pai dos homens e mulheres; Amante da Deusa Lua e protetor dos Wiccanos: Compareça, eu peço, com seu raio solar de poder, Cá em nosso círculo mágico!
           

O caldeirão deve ficar no altar. Em rituais externos, providencie uma fogueira que deve ficar abaixo do caldeirão.
            O mundo está em sono, a vida está silenciosa. O vento está frio, mas meu coração está tranqüilo.

Acenda a vela vermelha dentro do caldeirão.
Quem traz a deusa e o deus dentro de si jamais sofre o frio da ausência de amor.

Observe o fogo dentro do caldeirão.
            Acendo este fogo em teu louvor, minha Mãe. Fazes do frio, nascer o calor. Da morte, nascer à vida. De ti, nasce o Deus Sol. A Luz está vindo e sempre retorna!

Gire no sentido horário ao redor do caldeirão e do altar, levando seu incensório e dizendo repetidamente:
A roda gira, o poder queima.

Pare diante do caldeirão e observe fogo. Medite sobre as forças que dormem durante o inverno, no mundo e em você mesmo. Veja o nascimento como uma continuação e não como um começo. Jogue então folhas secas de louro e alecrim dentro do caldeirão. Entoe cânticos.

Eu sou o filho da donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá
um novo amanhã
Eu sou o filho da donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá
um novo amanhã
Sou o fruto da Terra,
que se move com o Sopro da Vida
que no Fogo se renova
e vai fluindo nas ondas da Água Divina
Sou o fruto da Terra,
que se move com o Sopro da Vida
que no Fogo se renova
e vai fluindo nas ondas da Água Divina

Trabalhos de magia simples podem ser feitos então. O banquete pode ser servido.

Destrace o círculo e finalize o ritual.




terça-feira, 14 de julho de 2015

MITO - a partida do Rei Azevinho e a chegada do Rei Carvalho.

A partida do Rei Azevinho e a chegada do Rei Carvalho – Um mito de Yule


Em meio à temível escuridão do Inverno, a Deusa voltou Seus olhos para a Terra. Avistando a calma, inerte e peculiar beleza que repousava nas árvores sem folhas, na neve que cobria o solo e em Suas criaturas, agora reunidas em suas cavernas e casas para fugir do frio, resolveu descer ao Mundo para dar fim ao implacável período mortal que se estendia sobre todas as formas viventes.
Embora soubesse que o florescer e frutificar da Terra, bem como a gestação da nova Criança, haviam Lhe deixado cansada e que o tempo de escuridão fosse, então, mais do que necessário, a Senhora sabia que, acima de tudo, os Ciclos da Vida eram tão belos e poderosos quanto os Ciclos da Morte, e começavam a agitar-se nas profundezas do solo, lutando contra o inverno gelado para renascer. Ela sabia que era momento de retirar, finalmente, Seu manto branco que se estendia pelas florestas e vales, abrindo espaço para que estes pudessem tornar-se novamente verdes, pulsantes com energia vivente.
A noite era a mais longa e mais escura que já havia se visto. Movimentando-se com dificuldade devido aos avançados estágios de Sua gravidez, a Mãe de todas as coisas adentrou a floresta agora negra, buscando Aquele que comandava esta época do ano. Calmo, silencioso e taciturno, o Rei Azevinho esperava-A em meio às arvores nuas. Sua coroa de viçosas folhas verdes e os rubros frutos que a cobriam pareciam um tesouro em meio aos galhos secos espalhados por toda a parte, como se uma estranha magia os tivesse conferido o poder de sobreviver a estes difíceis tempos. Seus olhos eram firmes, Seus lábios cerrados pareciam esboçar um sorriso incompreensível, resistente, único. A Portadora da Vida sabia que seria difícil convencê-Lo a retirar-se. No entanto, ao sentir a Criança da Vida mover-se em Seu ventre, Ela tinha certeza: era chegado o momento.

Após uma breve saudação carregada de poder, a Deusa voltou Seus olhos para o Oeste, mostrando ao Deus Azevinho a direção que Ele deveria tomar. Não se podia ver nada além de um caminho tortuoso que terminava em escuridão. “Por que eu deveria ir?”, perguntou Ele. “Os tempos devem mudar”, respondeu a Deusa, “e aqueles que um dia governaram devem ceder lugar à nova vida, para que o equilíbrio no mundo seja restabelecido. Você sabe disso tão bem quanto Eu.”
O Deus contemplou a calma da floresta, num gesto que pareceu durar tanto quanto a nota de uma harpa ecoando em uma sala vazia. “Eu não posso ir”, disse Ele, “não agora. Você, Senhora, que vê além da tristeza, sabe que este é também um belo tempo. Repare no suave amor com que o gelo beija a Terra, e na esperança de Minhas verdes folhas, que mostram Minha soberania, exercida com direito e propriedade”.
A Deusa sorriu. Seus lábios pareciam compreender o Rei do Gelo, mas demonstrava uma sabedoria ainda maior do que a dele. Ela disse: “Belas são as Suas palavras, Meu filho e amigo. No entanto, não se esqueça: a Terra deixa-se beijar, mas pode envolvê-Lo no mais mortal e eterno dos abraços. E o que será de Suas verdes folhas quando a escuridão eterna roubar delas o brilho que as sustenta? Sem a ajuda da Criança que se prepara para tomar o Seu lugar, você não terá mais coroa, nem trono.”
“Criança! Minha Amada, Minha Mãe, Minha Senhora! Olhe para Mim; veja a sabedoria do tempo estampada em Minha Face, em Meus olhos, em Minha barba! Por que Eu, que sou o Senhor do Conhecimento, devo ser substituído por uma Criança?” – disse o Rei azevinho, gargalhando. “Que poder pode tão pequena e inocente criatura ter, que seja maior do que o Meu?”
Ela quase deixou levar-se pelas palavras do Senhor da Morte, mas sabia: Ele podia ser ousado o bastante para manipular palavras e tentar convencer a Ela, que O havia gerado; mas não havia palavras que pudessem convencer a Senhora de Todos os Ciclos a agir contra Sua própria natureza. Ela respondeu-Lhe da maneira mais coerente, e, portanto, mais verdadeira: “O Filho que espero pode ser agora pequeno, mas tem tanto poder quanto Você próprio, uma vez que ambos foram gerados em Meu condescendente ventre, e conhecem igualmente Meus Mistérios. Nós sabemos: Ele crescerá. Ele o faz até mesmo enquanto dialogamos, e torna-se cada vez mais próxima a hora de Seu nascimento. E à medida em que crescer, terá cada vez maior poder para degelar esta neve sob nossos pés. E então, eu vestirei Meu manto de beleza para saudá-Lo, para amá-Lo, de modo a restituir a vida e abundância a todas as Minhas Criaturas.”

“Eu não o vejo crescer”, disse o Rei do Inverno, estendendo Suas mãos para recolher alguns flocos de neve que caíam dos céus. “Vejo apenas neve, gelo, e frio. Vejo o Inverno.”
“Você mesmo disse que vejo além da tristeza. Pois bem, é verdade. Meus olhos vêem além da neve, e meus ouvidos escutam as árvores sussurrarem enquanto seus galhos se tocam. Preste atenção, Filho, repare no som dos carvalhos brotando sob a neve, tão lentamente, tão suavemente!” A Deusa apontou para baixo, e de Suas mãos pareceram surgir pequenas fagulhas, que desceram até o solo, abrindo espaço na neve e mostrando ao Deus os pequenos brotos quase invisíveis que cresciam sob o gelo. “Tudo vai, e tudo vem. Tudo morre, tudo renasce. Enquanto você reina, a vida lentamente caminha em sua direção, clamando por espaço. Até mesmo Eu, que sou a Senhora de Todas as Coisas, deixo a vida preencher-Me!” E colocando as mãos em Seu ventre pleno, a Deusa convenceu, enfim, o Rei do Inverno de que Morte e Vida pareciam ser opostas, mas eram irmãs, filhas Dela mesma, Senhora daquilo que é, foi e ainda será.“Receba comigo a Criança da Promessa, e recolha-se, Sábio Azevinho, pois chegará também o Seu momento de retornar.”
A Deusa deu alguns passos em direção ao Leste, e assim permaneceu por alguns instantes, de modo que o Rei Azevinho via apenas Suas costas. Subitamente, um clarão surgiu em frente à Deusa, que cantava. A Luz era tão forte que Ele teve que cerrar os olhos. A Senhora então voltou-se para Ele. Nos braços da Grande Mãe, havia um pequeno bebê, de onde vinha o brilho e a luz da Vida. Ele era tão belo, que fez o Rei Azevinho sorrir.
“A Criança da Promessa retornou”, disse a Mãe dos Deuses. “Vamos saudá-la, pois agora temos a certeza de que a vida se derramará novamente sobre a Terra. O Rei Carvalho deve agora governar. E você, Rei Azevinho, deve ir agora. Nós o agradecemos por ter protegido o mundo durante este período de escuridão, e desejamos harmonia em sua jornada rumo às terras além do Oeste. Nós cuidaremos de Seu Reino, e aguardaremos também o Seu retorno, quando for o momento do Rei Carvalho despedir-se para que a vida continue, assim como Você agora o faz. Tudo o que vai deve um dia retornar. Lembremo-nos sempre desta máxima sagrada.”

Com as palavras e as bênçãos da Senhora, o Rei Azevinho entregou sua coroa à floresta e partiu em direção aos caminhos do Oeste, de onde, como proferiu a Deusa, Ele um dia retornará. Mas isso é parte de outra história… por enquanto, saudemos o Rei Carvalho e abracemos, com vontade, a nova vida. Feliz Yule!
O mito do Rei Carvalho e do Rei azevinho é um dos mais tradicionais nas épocas de Litha e Yule. Enquanto em Litha, o Rei Carvalho é desafiado pelo Rei Azevinho, que chega para governar a metade fria e escura do ano, o contrário ocorre em Yule. A noite mais longa do ano nos lembra que a Luz retorna ao mundo. Os dias serão cada vez mais longos, e em breve o Sol voltará a nos aquecer e trazer a vida de volta à Terra.
Assim como o Rei Azevinho finalmente se convence de que a Criança da Promessa deve governar, deixemo-nos inspirar por este mito e celebrar nossa Criança interior. Vamos celebrar a vida, a esperança e a promessa de dias mais quentes, melhores, com mais amor e beleza. Sejam abençoados!
Lullu Saille é Alta Sacerdotisa da Tradição Diânica Nemorensis, atualmente mora na Alemanha com seu marido e sua filha a Princesa Sophie.
Fonte: Site Pentáculo.